Jesus Nazareno, o cristo, foi socialista?

Esta foi a pergunta realizada por um amigo que me conhece bem e sabe que sou cristão e comunista. Como sei que o mesmo é ligado, fiz uma breve pesquisa e percebi que o tema está em voga. E como amanhã é eleição de prefeit@s e vereador@s, pensei que é de extrema importânica emitir minha opinião. 

É necessário esclarecer os termos Socialismo e Comunismo e após, verificarmos se nestes conceitos se enquadram os ensinamentos de Jesus. Antes disso, é ainda primaz deixar claro que o socialismo e o comunismo são teorias políticas modernas, portanto, longe de cometermos um ahistoricismo conceitual, de antemão, respondo: Não, Jesus não era socialista ou comunista aos moldes de Owen ou Marx, mas com certeza Marx inspirou-se em suas ações (de Jesus) e ensinamentos para sua teoria, como é facilmente perceptível em seus textos, sobretudo, na utilização incansável de metáforas bíblicas (neste blog, na seção meus textos, escrevi um ensaio: O Ateísmo de Marx e dos Profetas… que detalha um pouco mais). Se quiser aprofundar-se leia o livro: Las metaforas teológicas de Marx, de Enrique Dussel.

Hoje existem várias teorias e modelos socialistas, mas todas querem um mundo mais justo, no qual a distribuição das riquezas seja mais igual. Os meios de produção são de propriedade coletiva e não privada, como no caso do capitalismo. A renda advinda do trabalho é dividida segundo as regras estipuladas pela própria cooperativa. Não há a lógica de dominação patrão-empregado. A definição de socialismo que mais concordo hoje é esta de Paul Singer.

Assim, é necessário que eu afirme que não acredito mais no socialismo científico, nem no utópico. Se não, em uma reformulação e a criação de socialismos democráticos. O socialismo, portanto é capaz de garantir a democracia real, desde o modo de produção até o consumo. E portanto, garantir respeito às alteridades e à realização do ser humano, extinguindo em suas relações, a submissão à lógica de dominação. Portanto, basicamente, podemos entender o socialismo, qual tal Singer propõe, como o modo de produção coletivo (cooperativas) que consigam privilegiar o ser humano, visando sua realização e não o acúmulo de capital.

O comunismo é fase sucetiva do socialismo, na qual todas as pessoas se convencem de que o capitalismo não merece continaur e por livre vontade associam-se à cooperativas. A tecnologia ajuda na gestão sustentável dos recursos naturais e a trabalharmos o quanto menos na produção de riquezas e o quanto mais no que queremos. As fronteiras e o próprio aparato político (Estado) torna-se desnecessário. Não há mais classes sociais e o direito de ir e vir é, or fim, garantido, pois todas as pessoas terão as condições materiais necessárias para locomoverem-se para onde quiserem. E como todos terão tudo garantido, seja as necessidades materiais ou das “advindas das fantasias” (Marx) a criminalidade será baixa e resolvida pela própria comunidade organizada, que aliás, é quem define tudo. Marx não definiu o comunismo, foi Lenin que o fez, mais ou menos dessa forma…

Por fim, falemos de Jesus. Aliás, este assunto está bastante veiculado no mundo desde os recentes levantes populares e o lançamento de um curta metragem nos Estados Unidos, chamado: Jesus era comunista. Em oposição a estes rumores, papa Bento XVI lançou um livro dizendo que Jesus não era comunista (se afirmasse o contrário, como explicaria os investimentos capitalistas do banco do Vaticano?).

Jesus nazareno com certeza tinha um projeto político-social-econômico e religioso contrário ao hegemônico de sua época. Trabalhador de uma cooperativa de construção civil, junto a seu pai José, escolheu os pobres ara seguí-lo. E aqueles que não eram, deveriam, necessariamente, converterem-se, vendendo todas suas riquezas… Não gastarei muito tempo com isso, porque não gosto de conversar com a maioria dos cristãos a este respeito, pois ainda estão sob à brisa dos dogmas. Mas se isso não fosse verdade, os evangelistas não fariam questão de contextualizar politicamente seus escritos, e o feito mais revolucionário de Jesus a meu ver, foi sua entrada no grande templo (Jo 2,13-17), em plena páscoa e desafiar os sacerdotes, derrubando barracas e chicoteando os mercadores. Ali mostrou que a reação à violência dominadora não é contraditória ao amor pelos dominados e luta por sua libertação. Sua mensagem central era o Reino de Deus (por isso que em sua cruz o satirizaram, escrevendo eis o rei dos judeus) que trata-se de um mundo mais justo e solidário, longe de qualquer dominação. Seria este reino semelhante ao comunismo? Sim, sem sombras de dúvidas. Era um ideal pelo qual Jesus incentivou as pessoas a lutarem. Ele não incentivou a rebelião direta contra a besta (Império Romano), como muitos de sua época, pois sabia sua força. Mas ensinou a subversão ideológico-cultural e o quanto o amor pelos pobres era uma forte obra contra o império que submetia os pobres a seu julgo.

 

É ignorância ainda hoje, depois da descoberta dos escritos do mar morto e de Nag Hammadi, querer defender que o Reino de Deus é apenas espiritual. É bem verdade que já na época de Jesus haviam muitas interpretações e igrejas que interpretavam diferentemente a mensagem de Jesus (e contra as quais ele nunca pregou, pelo contrário, disse: “Quem não está contra nós, está conosco”). Mas o reino de Deus, em todas elas, começa no agora e estende-se por toda a eternidade.

Assim, penso que a pergunta possa permanecer: Jesus era socialista?

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